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Luís Abrantes s.m. Inovação, Criatividade e Conhecimento

15 Junho 2011 No Comment

Podíamos falar na sua formação em Manutenção Mecânica, na sua experiência profissional ou na sua forma exemplar de chefiar equipas, mas são as suas engenhocas eficientes e o gosto em pesquisar e se embrenhar em manuais técnicos para solucionar as avarias das máquinas que destacam Luís Abrantes. Com 41 anos, o Chefe de Oficinas da Mota-Engil Engenharia apresenta-se como uma pessoa simples, mas com uma sede de conhecimento tão transparente que contagia quem quer que seja que comunique com ele. Algumas das suas invenções práticas e muito em conta, uma vez que reaproveita peças soltas de outras máquinas para construir novas, são certificadas e até há uma marca que já copiou uma das suas invenções. “A máquina que desaperta macacos hidráulicos fascinou os operacionais da Caterpillar que vinham ao Estaleiro do Porto Alto (EPA). Depois de a utilizarem algumas vezes perguntaram-me se podiam copiar”. Cedeu a sua ideia sem qualquer retorno, porque aprender e passar o conhecimento é o seu lema. A unidade de teste de geradores é talvez um dos equipamentos mais importantes que já criou na Mota-Engil. “Como todas as invenções, esta máquina também surgiu de uma necessidade. Nós temos uma frota de geradores que alugamos às obras e o que acontecia é que as máquinas saíam daqui a funcionar e depois de estarem pouco tempo em obra avariavam por alguma razão. Tínhamos de arranjar uma forma de enviar os equipamentos e esquecê-los, senão não fazíamos mais nada a não ser reparar os geradores. Foi aí que decidi arranjar uma forma de testar os geradores, o que consegui através de uma invenção prática e barata. Com esta unidade conseguimos gerar um protocolo de saída, ou seja, sabemos como é que máquina sai do EPA porque é tudo verificado ao pormenor e registado, portanto, se avariar, é porque não está a ser utilizada correctamente. Além disso, quando a máquina entra de novo no EPA, conseguimos obter um histórico da utilização da mesma e, caso o equipamento tenha perdido alguma capacidade, sabemos onde actuar para restaurar a plena actividade do mesmo.” O brilho nos olhos enquanto fala do trabalho que desenvolve é contagiante e faz-nos querer ouvir mais sobre as suas ideias postas em prática e que vão libertando a Mota-Engil de recorrer à manutenção feita pelas marcas dos equipamentos. Luís Abrantes está sempre em busca de saber mais e melhor, o que não se adquire apenas através dos inúmeros manuais que lê. “Quando vim para a Mota-Engil trazia algum conhecimento e até agora ainda não consegui parar de estudar. Sou viciado. Também tenho a minha equipa e orgulho-me de ter conseguido ganhar o respeito de todos os que trabalham sob as minhas orientações. Valorizo muito o meu pessoal e costumo dizer que é o pessoal que faz o bom chefe. Podemos ter uma imensa bagagem de conhecimento, mas sem a nossa equipa, sem background não somos nada. Sozinhos não conseguimos dar resposta”. Apologista de que é fundamental aprender com os nossos semelhantes, Luís afirma que como chefe nunca levantou a voz e que considera ser, acima de todas as suas responsabilidades, um colega porque “se for preciso, faço o que eles fazem, não me limito a mandar fazer”. O telemóvel é uma ferramenta fulcral porque muitas vezes a equipa está na obra a explicar o que se passa com a máquina e no EPA está Luís, mergulhado nos manuais a pesquisar a possível causa. “Fazer um diagnóstico ainda no papel é o ideal para que o próximo passo seja apenas identificar a peça e arranjar. Não devemos mexer sem sabermos o que estamos a fazer, porque normalmente é uma avaria simples, por isso, ao fazer um diagnóstico com cabeça, tronco e membros, grande parte do problema fica resolvido.” Podíamos praticamente escrever um livro sobre Luís Abrantes, cuja secretária desorganizada não reflecte de todo a pessoa determinada e orientada que é, no entanto, os seus objectivos de vida são bem simples: continuar a aprender, ensinar, resolver avarias (de preferência bem complicadas) e claro, criar novas máquinas!